Este livro é uma caminhada que me exigiu uma diferente forma de criação. Em vez de me sentar e estar algumas horas a escrever, desta vez foi diferente. O pousar acontecia, por vezes suave, por vezes tormentoso. O corpo escrevia e o livro escrevia-me, tudo a acontecer ao mesmo tempo. O livro foi nascendo…
num caderno preto A4 intitulado “Viagem ao Corpo Poético”,
no escrevinhar nas teclas do portátil,
nas noites febris de intuição em que a escrita, a cor das aguarelas, as colagens fotográficas e um corpo dançante se misturavam,
nas rodas circulares dançantes e na mão que insistia em dar forma aos pensamentos que eram ondas constantes,
nos dias de dor, de raiva e frustração que surgiam nos riscos berrantes dos lápis de cera
nas manhãs frescas sem certezas de nada
no cuidado que me dava e no abraço que recebia
na consciência do atravessamento
na invisibilidade de um subtil mover na paisagem do corpo e no convite à contemplação
nas inúmeras conversas com tantas pessoas abraço
por entre as águas dos bosques, as ondas do mar, os caminhos pedregosos, as montanhas embalo e os penhascos sobre a vastidão de tanta possibilidade…
E a Casa surgia, com odores, com luz, com sons, ecos, textura. Sentia nas suas paredes as vozes, mãos, corações, presenças únicas, pegadas que não se apagam nunca.
Talvez este seja um livro para escutar e sentir, um convite para habitar. Talvez seja uma caminhada plena de presenças e encontros onde há o prazer do tocar e o ser tocado, do encantar e ser encantado, do reconhecer e ser reconhecido.
Ao lado do livro, caminha o oráculo de sete cartas, cada uma a corresponder a um movimento. As cartas têm uma imagem, uma frase poética mensageira e um convite a uma prática.
O Sopro que tudo anima e expande
Poética do invisível no interstício da natureza
Coração silencioso e embalo
Voz e expressão no mundo
Corpo em dança
Corpo lugar
Integração e encontro – A Casa que Já Somos
Teresa Pêgo
