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Criatividade com janela para o rio - o ateliê de Rita Prates Caetano

  • Foto do escritor: tmpego
    tmpego
  • 18 de mar.
  • 2 min de leitura

“A beleza inspira-me. No geral, gosto de ver beleza e de partilhar beleza e gosto de criar beleza.”

                                                                                                  Rita Prates Caetano

 

À direita, desliza o Lizandro devagar num beijo demorado com o mar, pleno da despreocupação lânguida dos surfistas. À esquerda, um comboio de casas brancas com janelas azuladas. À soleira de uma das portinholas, uma mulher descansa numa pequena espreguiçadeira ao sol; numa pequena roulotte, um homem e mulher conversam descontraidamente e os sorrisos fáceis trocam-se na passagem.

 

Subi por um pequeno caminho serpenteante de terra, ladeado com pequenas flores multicolores e, no final da rua, o sorriso acolhedor de Rita estava à porta do seu ateliê.

 

Há lugares que são casa. Há aromas, pequenos nadas, objetos simbólicos espalhados nos recantos e nas paredes e, ao fundo, uma janela aberta sobre a paisagem limpa. Nas mesas da criação, toda uma história em cada objeto pousado – uma ideia a concretizar, outra que se transformou desde a conceção até à materialização. Ali, o trabalho de uma alquimista que transforma o pensamento mirabolante em arte, ou numa peça que vai crescendo até a forma se decidir acabada.


 

Há pessoas casa. A Rita é casa. Sentimo-nos em casa com ela e dentro dela existem ainda mais casas repletas de portas e janelas abertas para uma paisagem líquida e luminosa. Em duas cadeiras junto à grande janela do atelier, sentámo-nos em amena conversa, enquanto o chá de menta fumegava, libertando perfumes que ainda adocicavam mais o diálogo.

 

A conversa rondou o humano e o ato criativo; o diálogo saltitou entre as ideias que se criam, a natureza enquanto inspiração e referência estética, ou o corpo enquanto canal expressivo e elemento presente, em constante expansão. E depois gostei da jovialidade da Rita, da sua sensibilidade, mostrando-me uma grande caixa tesouro, que era da avó, onde guarda as relíquias que recolhe de forma sustentável aquando das suas caminhadas na natureza; gostei também da sua vulnerabilidade, abrindo espaço para partilhar o que sente sobre as viagens criativas que a atravessam: as suas alegrias, as suas inquietações, a sua curiosidade pelos aspetos mais simbólicos da existência que são, por vezes, transpostos para as suas produções artísticas diversas.


 

      A Rita é casa e na sua casa o gesto é único. Mesmo que por vezes o traço que pensa não resulte exatamente como pretendia, rapidamente o repensa e recria em algo ainda mais particular. Na viagem, aquilo que para si pode ser uma imperfeição é uma semente de vida nova a brotar.

 

      O tempo voa nestas alturas e também o que apetece é pará-lo por forma a saborear as trocas genuínas e o brilho do olhar quando fazemos o que gostamos.

 

      Tenho a certeza que vou regressar à casa da Rita de janela aberta para a vida serpenteante. Acredito que seja apenas a semente de muitas mais possibilidades criativas.

 

“You are unique. Be unique. Inside Out.”

Rita Prates Caetano

 


Teresa Pêgo


Fotografias tiradas pela Rita Prates Caetano

 

Nota: Podem espreitar o trabalho da Rita em:

 

Instagram: @ritapratescaetano

Site: www.ritapratescaetano.com (em atualização e a reabrir brevemente)

 

 
 
 

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